quinta-feira, 8 de maio de 2014

SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA



SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA


“Incluir significa inserir ao meio e promover oportunidade de desenvolvimento para que haja a promoção e autonomia do individuo.” 



O modelo de sociedade que compõem o nosso país reproduz o preconceito e a descriminação das pessoas com deficiência no Brasil, atitudes como estas faz com quer as pessoas com deficiências múltiplas e surdocegueira, sejam impossibilitadas de se desenvolverem na sociedade por falta de estratégias voltadas para atender suas necessidades e desenvolver o seus potencias e promover a independência e autonomia para assumir o seu papel como cidadão que faz parte da construção da sociedade.
A surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta perda da visão e da audição. É considerada surda cega a pessoa que apresenta essas limitações independentes do grau das perdas auditivas e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida.
·Surdocegueira Congênita: É causada por lesões ou enfermidades que comprometem as funçõesdo globo ocular e geralmente acontece com a criança que nasce ou adquire a surdocegueira antes da língua.
· Surdocegueira Adventícia: É causada pela perda da visão ocorrida na infância, na adolescência, na fase adulta ou senil.
Segundo o autor MCINNES (1999) as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias:
·       Pessoas que eram cegas tornaram surdas;
·       Pessoas que eram surdas e se tornaram cegas;
·       Pessoas que se tornaram surdocegas;
·       Pessoas que nasceram surdoscegas antes de terem aprendido alguma linguagem.
Deficiência Múltipla (DM) é a expressão adotada para designar pessoas que têm mais de uma deficiência. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social. Grande dificuldade para os educadores que atuam nessa área é a insuficiência de literatura sobre o assunto, a falta de intercâmbio de experiências e a escassez de pesquisas científicas e de registros da prática pedagógica. Diante deste contexto,  o
sentido múltiplo, os seguintes aspectos são considerados: tipo e número de deficiências associadas; abrangência das áreas comprometidas; idade de aquisição das deficiências; nível ou “grau” das deficiências associadas. A consideração sobre “gravidade” das deficiências depende de muitos aspectos que extrapolam as condições individuais das pessoas afetadas. Outros aspectos estão envolvidos, tais como: a atitude de aceitação por parte da família; a intervenção adequada para atuar nas causas e nos efeitos das deficiências; a oportunidade de participação e integração da pessoa ao ambiente físico e social; o apoio adequado, com a duração necessária, para melhorar o funcionamento da pessoa no ambiente; o incentivo à autonomia e à criatividade; as atitudes favoráveis à formação do autoconceito e da autoimagem positivos. Dentre todos os aspectos considerados, entende-se que a educação exerce um papel relevante. Intervenções apropriadas e iniciadas o mais cedo possível, resultam em melhores condições de desenvolvimento, de aprendizagem e de integração familiar e comunitária.
Uma das barreiras que enfrentamos na comunicação dessas pessoas é a falta de bagagem que nós educadores não temos o suficiente para encontrar mecanismo que potencialize as habilidades destas pessoas criando oportunidades de aprendizagem satisfatória que contribua para sua interação no âmbito escolar e social.

Referencia 

Fascículo Cinco. SurdoCegueira e Deficiência Múltipla.
Serpa, Ximena. Apostila sobre comunicação para pessoas com surdocegueira
Ikonomidis, Vula Maria. Apostila sobre Deficiência Múltipla Sensorial. 

 

terça-feira, 25 de março de 2014

Uma Panorâmica da Educação das Pessoas com Surdez



Uma Panorâmica da Educação das Pessoas com Surdez

José Ivanildo da Costa

Analisando o percurso histórico da Educação das Pessoas com Surdez, nos reporta não só as questões que se refere aos sues limites como seres humanos incapazes, como também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas, sendo prejudicadas em seus desenvolvimentos, pela falta de estimulo adequado e valorização de seus potenciais cognitivos, sócio afetivo, linguístico e politico-cultural acarretando perca considerável no desenvolvimento da aprendizagem.
Historicamente, a educação das pessoas com surdez foi baseada na abordagem oralista, que capacita a pessoa com surdez para utilização da língua da comunidade ouvinte, negando a diferença entre surdo e ouvinte  e não admitindo a Língua de Sinais  e  na abordagem denominada comunicação total, diante desse quadro situacional, o importante é buscar nos confrontos promovidos na relação entre as diferenças, novos caminhos para a vida em coletividade, dentro e fora da escola e, sendo assim, como seria atuar com alunos com surdez, em uma escola comum que reconheça e valorize as diferenças, e que o processo curricular e pedagógico precisa ser criado para atender a essa diferença, considerando a escola aberta para todos e, portanto, verdadeiramente inclusiva, e a educação inclusiva implica sobre a diversidade da cultura e dos indivíduos. Busca entender a heterogeneidade, as diferenças individuais e coletivas e, principalmente, as diferentes situações do dia-a-dia na realidade social e no cotidiano escolar.
[...]deficiência da trocas simbólicas, ou seja, o meio escolar não expões esses alunos a solicitações capazes de exigir deles coordenações mentais cada vez mais elaboradas, que favorecerão o mecanismo da abstração reflexionante e consequentemente, os avanços cognitivos(POKER, 2001: 300).

A Politica Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), legitimando a construção do Atendimento Educacional Especializada, disponibilizou: serviços, recursos tecnológicos, didáticos e metodológicos essenciais para atender as necessidades especificam de aprendizagem das pessoas com surdez ou com deficiência auditiva no sistema regular de ensino contribuindo para a educação de qualidade.
Por mais as políticas estejam definidas, muitas questões e desafios ainda estão para ser discutidos, muitas propostas, principalmente no espaço escolar, precisam ser revistos e algumas tomadas de posições e bases epistemológicas precisam ficar mais claras, para que, realmente , as práticas de ensino e aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem  caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez (DAMÁZIO, 2010, p. 42)

O Atendimento Educacional Especializado – Pessoa com Surdez, na  perspectiva inclusiva, parte do diagnostico do aluno, para elaboração de um plano de atendimento, que estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do potencial e das capacidades dessas pessoas, respeitando as diferenças, considerando a obrigatoriedade dos dispositivos legais, que determina o direito de uma educação bilíngue, em que Libra e Língua Portuguesa escrita constituam  línguas de instruções, contribuindo para a construção da aprendizagem destas pessoas.
Portanto, incluir a pessoa com surdez nas escolas comuns, só acontecerá com a reestruturação dos currículos escolares, o redimensionamento das praticas pedagógicas fazendo nos ambientes educacionais um espaço onde promova à aprendizagem valorizando os potenciais das pessoas surdas, desenvolvendo suas habilidades e competências, inserido a no meio social para que elas possam desenvolveram ações  significativas, onde elas terão não só seus direitos garantidos, como também sua dignidade de seres humanos, pensantes e capazes de conviver e de evoluir na sociedade. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.       Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.
2.       DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005, p.108 – 121.
________, Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com Surdez. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Brasília. 20

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Autodescrição



Cinemateca mostra documentário em autodescrição a deficientes visuais
06/12/2012 18:18:00
Com muita empolgação, 30 alunos do Instituto Paranaense de Cegos assistiram a dois documentários sobre cidadania nesta quinta-feira (6), na Cinemateca, pelo sistema de audiodescrição, recurso que apresenta narrativas da história, dos personagens e da disposição das imagens. O evento faz parte da programação da 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul.
Os alunos assistiram aos documentários Extremos, de João Freire (Brasil, 24 min., 2011, doc.) e À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min., 2003, doc.). A carioca Nazilete da Silva, 56 anos, deficiente visual desde os 30, em consequência de um acidente vascular cerebral, lembra do último filme que assistiu quando ainda enxergava – Ghost, uma produção norte-americana. A sessão desta quinta-feira foi a segunda que assistiu depois que perdeu a visão. A primeira foi em 2011, também na Cinemateca.
Para ela já é normal essa mistura de sons que pode parecer estranha aos ouvidos e aos olhos de quem tem a visão plena. Nazilete consegue chegar a uma boa compreensão da história, ainda que as narrativas sejam muitas vezes sobrepostas por causa da velocidade das imagens. No final da sessão, debateu o conteúdo político dos dois documentários que assistiu com seu namorado José Maria Sereno, também deficiente visual e companheiro de instituto, onde mora há mais de dez anos.
Nazilete veio do Rio de Janeiro e o namorado, de Marília, interior de São Paulo. Ambos optaram por Curitiba por causa da infraestrutura que a cidade oferece em termos de acessibilidade. Para eles, em Curitiba o transporte público é mais acessível. Eles observam ainda que em relação às suas respectivas cidades, há em Curitiba um número maior de guias rebaixadas e pisos táteis, principalmente nas áreas mais centrais da cidade.
“Além dessa preocupação da cidade com os cegos, aqui as pessoas são mais cordiais e estão sempre dispostas a nos ajudar”, comenta Nazilete, que também conta com o serviço de transporte especial ofertado pela Prefeitura de Curitiba para levá-la até um hospital, três vezes por semana, para sessões de hemodiálise.
Por causa do diabetes ela perdeu a visão e teve que readaptar totalmente sua vida, a começar pela troca de casa. Vilma Callegari, 47 anos, morava em São José dos Pinhais, Região Metropolitana da Curitiba, e há 7 anos mudou-se para Curitiba para morar no Instituto Paranaense dos Cegos. Vilma conta que durante 40 anos, quando ainda enxergava, nunca havia ido ao cinema. Só via filmes pela televisão. “Depois que perdi a visão esta é a segunda vez que venho ao cinema e eu gostei muito da experiência”, afirma.
Vilma conta que já acostumou seus ouvidos a ouvir vários sons ao mesmo tempo, aprendendo a separar e “visualizar” as coisas por meio da audição. Na opinião dela, filmes do circuito comercial também poderiam ser exibidos com essa técnica da audiodescrição. “Assim nós que somos cegos poderíamos vir mais ao cinema e assistir a outros tipos de filmes”.
Documentários - O filme À Margem da Imagem traz um painel sobre as rotinas de sobrevivência, o estilo de vida e a cultura dos moradores de rua de São Paulo, abordando temas como exclusão social, desemprego, alcoolismo, loucura, religiosidade, degradação urbana, identidade e cidadania. O filme também trabalha a questão do roubo da imagem dessas comunidades, promovendo, assim, uma discussão ética dos processos de estetização da miséria.

O documentário Extremos apresenta a Vila Estrutural, comunidade situada no Distrito Federal, os moradores não têm seus direitos básicos garantidos, e lá não existem condições para mudar a situação. Como contraponto, é apresentado o bairro de Santo Amaro, em Recife, que no passado recente enfrentou problemas semelhantes e conseguiu transformar esse quadro graças à parceria entre sociedade e poder público.
Mostra - A coordenadora local da mostra na Cinemateca, Isabela Pagliosa, afirma que as produções de filmes com o recurso da audiodescrição são uma forma de inclusão do deficiente visual na mostra, que tem como foco a reflexão sobre os direitos humanos na América do Sul. “O material é produzido com esses recursos para permitir aos deficientes visuais uma melhor compreensão do filme”, disse ela.
A mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que vai até este sábado (8), é promovida pelo Ministério da Cultura, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e Cinemateca Brasileira, com o patrocínio da Petrobras e apoio local da Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba.
A mostra de cinema tem por objetivo promover o debate e uma reflexão quanto à diversidade e ao respeito aos direitos humanos. A mostra de 2012 teve 255 filmes inscritos, dos quais 37 foram selecionados para serem exibidos em 27 capitais do país.
Os filmes são exibidos na Cinemateca de Curitiba fica na Rua Carlos Cavalcanti, 1174, e tem capacidade para 104 lugares.
Confira a programação completa da mostra no site www.cinedireitoshumanos.org.br.